Ler, entender e compreender. Compreendo que não posso compreender sem entender, e entendo que sem ler fico impossibilitado de entender. A questão é ler; o que ler e onde ler.
Necessariamente não se faz preciso ler apenas a escrita. Aliás, só se pode ler algo escrito, o que eu queria dizer era que necessariamente não precisamos ler apenas coisas escritas com letras. A ideia não era bem essa, a ideia era que lemos não só coisas escritas por letras.
Ignorem o último parágrafo.
A dificuldade na comunicação está entre ler e escrever. O problema do pensamento desse caso é que somos ensinados a ler um conjunto limitado de códigos e a reproduzir um número mais limitado ainda. Aqui temos a questão da plataforma de leitura. Nos tornamos hábeis em ler a escrita (o texto) das ideias do autor, mas não conseguimos ler suas intenções por trás. Não sem algum treino ou aptidão nata. Mas até aí tudo bem. Problema que mudando de plataforma (a escrita tipográfica) já não temos mais cultura de aprendizado da leitura. Não conseguimos ler expressões, sinais, gestos. Ignoramos tudo pelo símbolo visual impresso.
Há um leque de certezas que constrói a incerteza maior. Aprendemos que algumas coisas são definitivas e confiamos plenamente nelas o entendimento do universo. Porém, ao tentarmos ler grego com a gramática latina o que obtemos é o que chamamos de nonsense. Daí descartamos tal leitura por ser de outro campo que não do interesse estabelecido. Na verdade não é problema de interesse, senão de pura falta de entendimento visto a impossibilidade da leitura. Não havendo entendimento, inexiste a compreensão, e o que se cria para o espaço não ocupado é um engendro criativo que pode ser tudo, menos o aspecto da verdade que se procurava. Enfim, um brinde à prolixidade.







