Leque

Ler, entender e compreender. Compreendo que não posso compreender sem entender, e entendo que sem ler  fico impossibilitado de entender. A questão é ler; o que ler e onde ler.

Necessariamente não se faz preciso ler apenas a escrita. Aliás, só se pode ler algo escrito, o que eu queria dizer era que necessariamente não precisamos ler apenas coisas escritas com letras. A ideia não era bem essa, a ideia era que lemos não só coisas escritas por letras.

Ignorem o último parágrafo.

A dificuldade na comunicação está entre ler e escrever. O problema do pensamento desse caso é que somos ensinados a ler um conjunto limitado de códigos e a reproduzir um número mais limitado ainda. Aqui temos a questão da plataforma de leitura. Nos tornamos hábeis em ler a escrita (o texto) das ideias do autor, mas não conseguimos ler suas intenções por trás. Não sem algum treino ou aptidão nata. Mas até aí tudo bem. Problema que mudando de plataforma (a escrita tipográfica) já não temos mais cultura de aprendizado da leitura. Não conseguimos ler expressões, sinais, gestos. Ignoramos tudo pelo símbolo visual impresso.

Há um leque de certezas que constrói a incerteza maior. Aprendemos que algumas coisas são definitivas e confiamos plenamente nelas o entendimento do universo. Porém, ao tentarmos ler grego com a gramática latina o que obtemos é o que chamamos de nonsense. Daí descartamos tal leitura por ser de outro campo que não do interesse estabelecido. Na verdade não é problema de interesse, senão de pura falta de entendimento visto a impossibilidade da leitura. Não havendo entendimento, inexiste a compreensão, e o que se cria para o espaço não ocupado é um engendro criativo que pode ser tudo, menos o aspecto da verdade que se procurava. Enfim, um brinde à prolixidade.

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Sobre Algo #1

Acordei com vontade de escrever alguma coisa séria. Ou que parecesse.

Problema é chegar em casa fim da tarde depois de um dia de aula. Não que as aulas sejam cansativas. Cansativo é viver na expectativa do dia de amanhã. E todo dia tem um dia de amanhã.

Mas penso que não devo reclamar; um dia pode chegar em que não haja mais dia depois dele. Esse dia sempre chega. Para todos nós, individualmente; um dia esse dia chegará para todos nós, ou para quem ficou, para todos juntos. Falo do Dia do Juízo. Mas para aqueles que não acreditam nesse dia final, certo que também terá seu dia final particular.

Essa coisa de ter algo particular, isso de termos algo só nosso, nem que seja um dia do fim. Particularmente eu daria meu dia final para outro. Nesse ponto não sou individualista.

Preciso reescrever o segundo parágrafo, estou analisando ele. Acho que deva ter alguma coerência interna. Outro dia reescrevo.

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Dropes #5

Para a formiga uma pedra é um monte. Somos algo como formigas; além de nos preocuparmos constantemente com pequenos problemas e pedras, somos condicionados a executar um roteiro escrito por outro como que se fosse uma ordem natural. As formigas ainda obedecem o roteiro da natureza; esse deixamos de seguir desde que o roteiro da cultura se apresentou como natural.

Na verdade somos como formigas quando as observamos por cima.

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Em um tempo de escassez estamos sempre atentos. Aqueles que acreditam numa moral maior, a seguem; outros que creem no trabalho, o executam. Quando vem a chuva todos dormem. Problema é a roupa no varal…

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Como acontecem as revoluções? Para mim são como um parto: gestadas internamente no ventre do coletivo popular, para rebentar explosivo de tal forma que não há mais como retornar de onde veio.

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Dropes #4

Sentar e escrever algo se torna um exercício de criação. Sentar, ler e reescrever algo é edição. Sentar, ler e analisar algo é compreensão. Muitas vezes não conseguimos compreender a criação por culpa da edição.

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Acredito que a maioria como eu não compreendeu o que foi escrito no parágrafo anterior. O simples ato de criar não implica que o que foi criado seja algo bom. Mas se houver o fato de que algo foi criado para não ser bom, podemos concluir que esse algo realmente não sendo bom, seu criador é realmente bom (bom no que faz). E esse algo não bom é bom por cumprir sua função.

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Todo louvor dado a Deus é um louvor pela criação, da criação.

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Dropes #3

Encher linguiça é uma arte, imagino. Enrolar sem ser cansativo e sem repetir argumentos é um dom. Prolixidade é a excelência do retórico preguiçoso. Importante é se fazer entender da mesma forma que de nada entende. Talvez isso, ou não.

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A expressão “ou não” tenho por algo realmente sensual dito por mulheres. Dito por homens me dá a impressão de ser algo do tipo: “na verdade desde o princípio nem sei do que estou falando, mas havia uma exigência de alguma resposta”.

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Minha motivação é encontrar minha motivação. Ou não.

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Dropes #2

Chega Sexta-feira e toda a motivação pro trabalho se esvai com a mesma velocidade que a motivação para festa vem para o fim de semana. Que vida banal…

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Algumas vezes não sei exatamente no que estou pensando. Penso se é possível pensar sem querer. Tipo, que o meu pensamento não seja eu pensando, mas sim ele fazendo eu acreditar que penso ele.

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Da ordem das motivações, aposto que a fome é a primeira, e deve vencer a motivação pela manutenção da vida. Penso hipoteticamente, nunca estive numa situação em que fosse motivado pela segunda, e pela primeira até então, só fui motivado apenas até a hora do almoço.

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Dropes #1

Das necessidades do corpo, as principais são as que satisfazem a alma (tuitarei isso). Fazer nada não é apenas descansar, mas exercer o poder de decisão, o que compreende um esforço, de também não entender nada

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Fazer algo com pressa é a forma de fazer algo da forma mais demorada. Já que vai demorar mesmo, o negócio é não ter pressa. As vezes me aprofundo tanto nessa filosofia que acabo nem fazendo.

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Sempre imagino que para se chegar à perfeição de executar uma tarefa da forma mais fácil e simples possível, se deva antes trabalhar muito arduamente no método de execução dessa tarefa.

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